Novo excepcionalismo dos EUA redefine comércio global e abre espaço para reação de outras economias
A segunda administração de Donald Trump marcou uma mudança estrutural no comércio global ao consolidar o que analistas vêm chamando de novo excepcionalismo americano. Segundo a diretora de investimentos do Morgan Stanley Wealth Management, Lisa Shalett, esse movimento sinaliza que outros países passarão a utilizar com mais intensidade o próprio poder econômico em negociações comerciais. Durante uma mesa-redonda sobre perspectivas globais, Shalett explicou que, por mais de uma década, o desempenho robusto da economia dos Estados Unidos foi sustentado por uma combinação considerada rara: estímulo monetário, estímulo fiscal e desinflação importada, especialmente por meio do comércio com a China. Esse conjunto de fatores foi decisivo para impulsionar lucros corporativos e o crescimento econômico nos últimos 15 anos, sem gerar pressões inflacionárias relevantes. No entanto, esse cenário começou a mudar no chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril de 2025, quando o governo Trump alterou as regras do comércio internacional ao passar a negociar acordos individualmente com seus parceiros. A China foi o único país a responder de forma imediata, enquanto outras economias passaram a se reposicionar dentro da nova ordem comercial. Mundo mais multipolar e novos vetores de estímulo Segundo Shalett, o avanço de um mundo mais multipolar tende a redistribuir os vetores de crescimento. Com a China direcionando suas exportações para outros mercados, o restante do mundo passa a receber bens desinflacionários, criando um ambiente potencialmente favorável para políticas monetárias mais flexíveis. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de estímulo fiscal, especialmente em investimentos estratégicos como defesa. Países da Otan, por exemplo, concordaram em elevar os gastos militares de 2% para 5% do PIB, ampliando significativamente o volume de investimentos públicos nos próximos anos. Os dados mais recentes reforçam esse movimento. Em janeiro, a Administração Geral das Alfândegas da China informou que as exportações cresceram 6,6% em dezembro, totalizando cerca de US$ 357 bilhões. Em contrapartida, os embarques para os Estados Unidos recuaram 30% na comparação anual, marcando o nono mês consecutivo de queda. Isso indica que outros países estão absorvendo produtos chineses que antes tinham como destino o mercado americano. Política monetária mais frouxa ganha força Outro elemento-chave desse novo cenário é o início de ciclos de afrouxamento monetário em diversas economias. Além do Federal Reserve, bancos centrais da Europa, do Reino Unido, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia já começaram a reduzir juros ou sinalizar políticas mais acomodatícias. No Brasil, o Banco Central também indicou recentemente a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes. Para Shalett, esse conjunto de fatores cria uma nova dinâmica global, na qual os países passam a avaliar com mais clareza seus próprios ativos estratégicos. Recursos como o processamento de urânio no Canadá ou os minerais de terras raras na China tornam-se peças centrais em negociações comerciais bilaterais. Implicações para investimentos Diante desse contexto, a executiva do Morgan Stanley avalia que um portfólio mais equilibrado globalmente tende a fazer mais sentido nos próximos anos. Segundo ela, trata-se de um fenômeno estrutural e de longo prazo, que vai além de movimentos pontuais como a desvalorização do dólar. “Não vemos isso como uma oportunidade de curto prazo, mas como uma transformação econômica que pode ser explorada ao longo de vários anos”, afirmou Shalett.
2/4/20261 min read


Bom dia !! 04/02/2026
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