Ibovespa segue em compasso de espera entre juros, dólar e commodities

O Ibovespa iniciou fevereiro operando em ritmo mais cauteloso, refletindo um ambiente de equilíbrio entre fatores domésticos e externos. O índice segue sustentado pela expectativa de início do ciclo de cortes da Selic, mas encontra resistência diante da volatilidade das commodities e das incertezas no cenário internacional. No campo doméstico, o mercado continua ajustando posições diante da sinalização do Banco Central de que a política monetária segue restritiva, porém com espaço para flexibilização a partir de março, caso o cenário de inflação permita. Esse movimento mantém o diferencial de juros elevado e ajuda a sustentar o real, ao mesmo tempo em que limita movimentos mais agressivos do dólar. Por outro lado, o cenário externo segue como principal ponto de atenção. A queda do minério de ferro e a fraqueza recente dos metais industriais pressionam empresas ligadas a commodities, especialmente as de maior peso no índice, como a Vale. Além disso, o mercado global permanece sensível a dados econômicos e à percepção de risco, o que mantém o fluxo estrangeiro mais seletivo. O dólar, embora ainda sustentado pelo diferencial de juros, tem mostrado movimentos mais contidos, reagindo principalmente ao comportamento das commodities e às oscilações do apetite por risco no exterior. Essa dinâmica reforça um ambiente de lateralização para o mercado acionário brasileiro no curto prazo. Para os próximos pregões, a tendência é de que o Ibovespa continue oscilando entre suportes e resistências, à espera de gatilhos mais claros, seja na confirmação do início do ciclo de cortes de juros no Brasil, seja em sinais mais consistentes de recuperação da demanda global por commodities. Até lá, o mercado deve seguir marcado por ajustes de posição e maior seletividade dos investidores.

2/3/20261 min read