Gestores apostam em dólar mais fraco e queda de juros no Brasil em 2026

Os principais gestores de recursos do Brasil iniciaram 2026 com uma visão bastante alinhada: o dólar tende a continuar fraco ao longo do ano. A avaliação aparece em cartas mensais e relatórios divulgados por grandes fundos multimercado, que mostram uma mudança clara de postura em relação à moeda americana. Nos últimos anos, o dólar era visto quase automaticamente como proteção. Agora, muitas gestoras passaram a reduzir essa exposição ou até apostar na queda da moeda frente ao real. O motivo principal é o cenário internacional menos favorável ao dólar, combinado ao alto diferencial de juros oferecido pelo Brasil. Segundo gestores do Itaú Janeiro, a estratégia segue vendida em dólar, apoiada justamente nesse cenário externo negativo para a moeda americana e na atratividade dos juros brasileiros. A SulAmérica Investimentos reforça que o temor de uma nova disparada do dólar acabou não se confirmando em 2025. Outras casas importantes, como Verde Asset, Vinland Capital, Kapitalo e Legacy Capital, também veem uma mudança estrutural no comportamento do dólar e mantêm posições que se beneficiam de sua fraqueza frente a outras moedas. Juros entram no radar para 2026 Além do câmbio, o mercado já começa a se posicionar para um possível novo ciclo de corte de juros no Brasil. Algumas gestoras projetam que esse movimento possa começar ainda no primeiro trimestre do ano, enquanto outras estimam uma redução mais gradual ao longo de 2026. Essa expectativa levou fundos a aumentar posições que ganham com a queda dos juros futuros. Para gestores da Ibiuna, por exemplo, o cenário é favorável: a chance de os juros voltarem a subir é baixa, enquanto uma desaceleração maior da economia poderia acelerar os cortes. A Opportunity também reforçou essa visão ao ampliar posições em títulos públicos atrelados à inflação, apostando em juros reais mais baixos. Cautela com o risco político Apesar do otimismo com câmbio e juros, o tom é mais cuidadoso quando o assunto é risco Brasil. Com a aproximação do ciclo eleitoral, algumas gestoras preferem manter uma postura defensiva, alertando para os desafios fiscais e políticos do país. A Vista Capital destaca que o alto nível de endividamento e os juros reais elevados reduzem a margem de erro da política econômica, o que pode gerar instabilidade caso ocorram decisões equivocadas. Bolsa e proteção no radar Na bolsa, o apetite existe, mas de forma seletiva. Gestores priorizam ações globais e controle de risco. O ouro também aparece com frequência como proteção, sendo visto como uma forma de diversificação em um ambiente de incertezas. Para o mercado, 2026 deve exigir disciplina, cautela e leitura atenta do cenário econômico e político — tanto no Brasil quanto no exterior.

1/17/20261 min read